Literatura, biografia ou astrologia? | meiaum
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Literatura, biografia ou astrologia?

Blog atinge mais de 1 milhão de acessos narrando o comportamento dos geminianos e vai virar série de e-books

Quando os weblogs (termo inglês para diário da rede) surgiram no final dos anos 90, a ideia era que substituíssem os antigos diários, aqueles caderninhos em que normalmente as meninas anotavam seus maiores segredos – embora nesse caso passassem a ser expostos, e não escondidos. Com o passar do tempo, a plataforma foi se desenvolvendo e virando local para publicações online e gratuitas. Nos anos 2000, com a febre que os blogs se tornaram, acabaram separados em categorias (o diário pessoal, os blogs de tecnologia, games, seriados, televisão e mais para a frente os de críticos de cinema e jornalistas).

Poder se expressar livremente e ainda ter feedback quase imediato era o que buscava Rodolfo Poppi quando começou na onda dos blogs, no início dos anos 2000. “Meu primeiro blog, o X-Pop, lembro até hoje que tinha o layout do filme X-Men 2, e basicamente escrevia sobre o que estava fazendo no meu dia, ainda na época de colégio. Usava na função diário mesmo, comunicação com meus amigos”, relembra o jornalista e escritor.

De lá para cá, ele experimentou outros diários online, mas acertou quando criou, em 2009, o Coração Geminiano – www.coracaogeminiano.com.br. A princípio, foi pensado para divulgar crônicas e textos enquanto ainda era estudante de jornalismo. Hoje alcança a marca de 1 milhão de leitores. “Gosto de chamá-los de leitores, e não visitantes, afinal no meu blog eu dedico 90% do conteúdo à leitura”, diz o autor.

O jornalista, nascido e criado em Brasília, criou o blog enquanto morava e estudava jornalismo em São Paulo. Grande parte de seus textos é influenciada por esse período de sua vida, em que morava sozinho numa cidade grande e ao mesmo tempo tentava formar seu caráter. O título do blog veio de uma paixão por uma virginiana paulista.

“O blog virou uma terapia para mim – uma autoanálise muito poderosa e proveitosa. Consegui me conhecer e descobrir exatamente quem sou com ajuda desses textos e também da participação das pessoas e de seus questionamentos.”

Rodolfo nunca fez curso de astrologia, no entanto, conhece características de seu signo e fazia esporadicamente mapa astral em sites gratuitos, nada levado muito a sério até o crescimento inesperado do blog. A ferramenta ganhou força a partir do momento em que o autor começou a mesclar a seus textos biográficos as características do seu signo. Todo o seu embasamento vem de pesquisa e leitura sobre o assunto.

O jovem de 28 anos diz que recebe centenas de e-mails de seus leitores – além de elogios e relatos de identificação – pedindo ajuda para entender e ajudar seus relacionamentos (amorosos, fraternais, pessoais, profissionais). O jornalista se tornou uma espécie de guru do seu signo.

“Eu não sou astrólogo, eu não sou psicólogo e eu não sou a pessoa mais correta do mundo, mesmo assim as pessoas confiam em mim, se identificam com meus textos e me procuram muitas vezes como a última solução de seus problemas. Eu simplesmente amo que meus textos tenham me dado essa oportunidade de troca com as pessoas”, destaca.

O autor iniciou em 1° de outubro o lançamento de uma série de e-books. O primeiro, Raio-X Geminiano, está disponível para download no blog. Os outros lançamentos virão nos próximos meses. O planejamento é lançar oito edições separadas em categorias distintas, a partir dos mais de 400 textos do blog.

 

Bruno Saviotti Bruno Saviotti

Procura-se: Bruno Pimentel Saviotti, jornalista, dizem ser louco, afirmam ter medo de escuro, branco, pode ser italiano ou alemão. Tem medo de fantasmas, gosta de festas e tem um desejo insano por cinema e cultura. Há relatos de que já passou por jornais, eventos de assessoria de imprensa culturais, foi produtor de mostra de cinema e até floricultor. Já foi encontrado na periferia de Londres, nas fazendas de Barbacena e nos hospitais de Bauru. Segundo fontes seguras, gosta de escrever, é apaixonado por qualquer mulher e fala sem parar. Ah, tem um pé um tanto quanto peculiar.

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