Água na cerveja

Anúncios de cerveja na televisão são geralmente ruins e de mau gosto. Bebedores de cerveja são apresentados como bobos e idiotas.

Mas a Skol se superou no baixo nível nas peças em que ironiza ingleses, franceses e argentinos, a pretexto da copa da Fifa.

Os idiotas, na verdade, não são os que gostam de cerveja. São os publicitários que criaram os anúncios e os diretores da Skol que os aprovaram.  

Deveriam ser obrigados a dançar de sutiã e lançados ao espaço.

Indigência jornalística

Quando trabalhei na Veja, entre 1976 e 1984, os critérios para uma entrevista nas páginas amarelas eram a importância do entrevistado e a relevância do assunto. E os entrevistadores eram jornalistas de verdade e de qualidade.

Hoje, o que importa é a posição ideológica do entrevistado, seja lá quem for. E as entrevistas são feitas por propagandistas, ainda que alguns com registro de jornalista.

Daí, até o senador Ricardo Ferraço é personagem nas páginas amarelas, para falar do que não sabe e nunca entendeu.

Veja seria mais explícita se as páginas fossem marrons.

 

Dinheiro fácil

A legislação eleitoral brasileira faz com que os minutos que cada partido tem para os programas e inserções na televisão, durante a campanha eleitoral, valham muito, em dinheiro ou em negociações lícitas e ilícitas. No dia em que forem revelados os valores oferecidos e pedidos por partidos isso será mais bem entendido pelas pessoas que desconhecem esse mercado.

Os parlamentares não querem mexer nisso porque é, para muitos deles, excelente fonte de renda e de barganhas de todo tipo.

O exemplo mais significativo nos últimos dias é o do PR. Para não perder o tempo que o partido chefiado por Valdemar da Costa Neto tem na TV, a presidente Dilma esqueceu a “faxina” que fez no Ministério do Transportes e tirou de lá o ministro César Borges, rebaixado para a Secretaria de Portos.

Só que isso não era o principal. Dilma tirou Borges a pedido do PR, mas lá recolocou Paulo Sérgio Passos, de quem o PR também não gosta muito, embora filiado ao partido. O principal é devolver ao PR o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), subordinado à pasta, pois é ali que jorra muito dinheiro.

Os segundos do PR na TV custarão muito caro aos cofres públicos.

Pior impossível

O maior problema para a presidente Dilma Rousseff no momento de entregar a taça ao campeão da Copa da Fifa não é a vaia que levará. É estar ao lado de um dos maiores gângsteres do mundo, chamado Joseph Blatter.

Não que Dilma não esteja acostumada a lidar com bandidos, pois lida cotidianamente, e com a maioria deles por vontade dela própria, mas o capo da Fifa deixa todos no chão perto do seu grau de periculosidade.

A melhor definição da quadrilha da Fifa foi feita pelo presidente José Mujica, do Uruguai: um bando de filhos da puta.

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