Explica, procurador

 
Nenhum cidadão brasileiro está acima da Constituição e das leis, e nenhuma autoridade pública está isenta de dar explicações sobre seus atos. Isso inclui o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que ainda não conseguiu explicar convincentemente por que não denunciou o senador Demóstenes Torres em 2009, quando recebeu o relatório da Operação Vegas. Gurgel e sua mulher, a procuradora Cláudia Sampaio, deram versões desencontradas e conflitantes sobre o fato e ela foi desmentida pelo delegado federal Raul Alexandre Souza. A procuradora agora diz que não havia sido detectado crime, mas “apenas” promiscuidade, o que não explica e não convence.
            Só essa confusão de versões já seria suficiente para obrigar Gurgel a se explicar, mas o procurador-geral não admite depor na CPI e em vez de prestar contas ao público, como fazem autoridades responsáveis, preferiu recorrer ao artifício de acusados que não têm respostas às acusações: atacar os acusadores. A imprensa conservadora e contra o governo adorou as declarações de Gurgel, de que as críticas a ele são feitas por “pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão”. Mas são palavras vazias, para as quais a resposta pode ser: “Tá bom, muitas das críticas podem ser de ‘mensaleiros’, sim. Mas, afinal, quais as suas explicações para não ter feito a denúncia contra Demóstenes no Supremo Tribunal Federal?”
            Cada coisa é uma coisa e Gurgel tem muito a esclarecer, sim. À CPI ou diretamente à opinião pública, com direito a ser questionado. Se os parlamentares aceitarem suas explicações apenas por escrito, correm o risco de receber um texto tão vazio e inútil como a entrevista que ele deu na semana passada. E ficará a indagação: o que levou o procurador e a procuradora, que por coincidência são casados, a não denunciar Demóstenes Torres?
                       
            Queda livre
A direita continua assustada. Sua líder Ângela Merkel, chanceler da Alemanha, sofreu mais uma derrota em eleições regionais. Seu partido, o CDU, teve apenas 26% dos votos na Renânia do Norte – Vestfália, que tem 22% da população da Alemanha. Os socialistas do SPD ganharam com 39% e devem se aliar aos Verdes (12%) para formar o governo. Merkel, a musa da austeridade, está perdendo todas as eleições regionais.
            Mas tem mais: crescem as chances de novas eleições na Grécia, que podem beneficiar os partidos contrários aos acordos com a União Europeia e com o FMI, inspirados por Merkel e pelo derrotado Sarkozi. Os “indignados” voltam a se mobilizar na Espanha e em outros países. Hugo Chávez continua favorito na Venezuela. E ainda por cima o piloto venezuelano de Fórmula 1 o apóia!
           
             
           
              
           
             
             
              

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