Mesmice e acomodação

Eleições se ganham com muito dinheiro, muito tempo de televisão e coligações amplas. No sistema eleitoral em vigor no Brasil a afirmação é verdadeira, pois as regras vigentes beneficiam quem tem mais dinheiro para gastar na campanha e montar a famosa “estrutura”, eufemismo para o pagamento de pessoas e serviços. A legislação favorece também as coligações sem princípio, feitas apenas em função da soma do tempo que cada partido tem.

Esta é a realidade enquanto não for feita uma verdadeira reforma do sistema eleitoral, montado para beneficiar os mais ricos e os que estão no poder. Nada impede, porém, que se tente mudar isso. E a melhor maneira é na prática: mostrando que é possível ser eleito, mesmo no atual sistema, com pouco dinheiro, alianças programáticas de verdade e sem muitos minutos de televisão.

A eleição de Cristovam Buarque, em 1994, é um exemplo de que isso é possível. Não tinha dinheiro, a coligação era toda de esquerda e o tempo de televisão era pequeno. E se foi possível no século passado, é mais possível ainda agora, quando a maioria das pessoas se cansou dos políticos e dos partidos que ficam na mesmice e acomodados nas velhas fórmulas de fazer política. As pessoas querem mudanças, e as mudanças já começam no jeito de montar a chapa e fazer a campanha.

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