Psicotraining na moda

                Para saber como lidar com jornalistas e se apresentar na mídia, políticos e empresários fazem um treinamento especial pedantemente chamado de media training. Especialistas treinam autoridades também para depor em comissões de inquérito e advogados ensaiam perguntas e respostas com seus clientes.

                Agora a promotora Deborah Guerner criou uma nova modalidade de treinamento, o psicotraining. O treinamento para aparentar insanidade mental, ministrado por um psiquiatra paulista, pode fazer sucesso no país todo. Acusados de corrupção para fingir loucura não faltam.

Armação ilimitada

                Estava tudo armado no Rio: um Fla x Flu na final da Taça Rio. Possivelmente com negra na disputa do Campeonato Carioca. O melhor dos mundos para quem precisa de renda e de audiência.

                O juiz de Flamengo x Macaé tentou cumprir o combinado, anulando um gol do Macaé e marcando pênalti que não existiu a favor do Flamengo, e bem no final do jogo. Se Ronaldinho fizesse o gol, o Flamengo jogaria contra o Olaria.
                Aí o improvável aconteceu e Ronaldinho perdeu o pênalti.  Não dá para pensar em tudo.
                 

Eles têm a força

                Todos os cidadãos têm o direito de exercer seus direitos civis e políticos. Assim, policiais civis e militares podem se candidatar e ocupar funções legislativas. Mas isso, inegavelmente, vem provocando uma distorção que prejudica, principalmente, a população.
                É verdade que a distorção parte de um problema mais geral: como dependem dos votos de deputados, governadores loteiam e entregam a eles o comando de áreas do governo. As administrações regionais e algumas secretarias acabam sendo feudos de deputados distritais.
                A situação é mais grave quando se trata da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. São corporações militares, as duas últimas, e uma que é quase militar. Exigem comando firme e unificado e muita disciplina. Policiais e bombeiros que viram políticos, infelizmente, têm prejudicado a eficiência e a eficácia das três corporações.
                Eu assisti a uma cena absurda: o governador foi visitar um quartel da PM e enquanto circulava pelas instalações era insultado e quase agredido por um ex-policial que era deputado distrital e lhe fazia oposição. Os comandantes da PM, obviamente constrangidos, não podiam impedir que o ex-policial fizesse seu show perante a tropa.
                Houve também um ex-comandante dos Bombeiros que se tornou deputado e queria continuar dando ordens aos ex-subordinados. Não há tropa que opere com duplo comando.
                Hoje são seis deputados distritais que vieram das três corporações, há ainda um ex-policial e ex-deputado no núcleo de poder do GDF e um que é presidente de empresa. Todos interferindo na gestão das polícias e dos bombeiros e colocando questões corporativas acima dos interesses do conjunto da população. Afinal, dependem dos votos de soldados e oficiais, de agentes e delegados ou querem manter influência.    
                O secretário de Segurança, nessa configuração, é uma rainha da Inglaterra. Tem de se sujeitar aos policiais e bombeiros que têm mandato e não comanda efetivamente as corporações, que têm autonomia e não estão formalmente subordinadas a ele.
                Para mudar isso é preciso muita coragem. Nenhum governante gosta de brigar com deputados e muito menos com policiais. Os riscos são grandes, pois eles têm a força – e muita informação.

Um espécime raro

 

                O motorista de ônibus que achou e entregou ao dono um pacote de R$ 74 mil foi ofendido pelos colegas e chamado de otário. Joilson Chagas, 31 anos, morador de Nova Friburgo que perdeu a casa nas enchentes, ainda recusou a recompensa de R$ 2 mil. Num país em que prevalece a desonestidade, vira notícia e é hostilizado.
                O CQC poderia fazer um novo teste com deputados, além daquele em que comprova a ignorância da maioria dos representantes do povo: largar no plenário um pacote de R$ 74 mil para ver se alguém devolve.
                Se bem que, achado no plenário, suas excelências poderão recorrer ao dito de que ladrão que rouba ladrão…