Todo poder ao capital!

Não é difícil entender por que a direita e os grandes empresários e banqueiros ficam raivosos ao ouvir propostas de constituinte, plebiscito, referendo, conselhos populares, democracia direta e participação popular: não querem perder uma fração sequer de poder.

E é por isso que argumentam em defesa do Poder Legislativo, como se instrumentos de democracia direta fossem contraditórios com as prerrogativas dos parlamentares. Em vários países do mundo, em diferentes graus, legislativos e mecanismos de participação popular convivem com harmonia.

A questão é que, por meio do financiamento de campanhas, do suborno direto e da compra de parlamentares, a direita e o grande capital dominam a maioria no Congresso Nacional, nas assembléias legislativas e nas câmaras de vereadores. Então, por que o risco de entregar decisões ao povo?

O decreto da presidente Dilma, instituindo mecanismos de participação popular, tem falhas, burocratiza o processo e é limitado. Mas está sendo violentamente combatido porque abre um flanco perigoso para os que enchem a boca ao falar de democracia, mas a única democracia que lhes interessa é a que assegura seus poderes, seus privilégios e suas fortunas.

Mesmice e acomodação

Eleições se ganham com muito dinheiro, muito tempo de televisão e coligações amplas. No sistema eleitoral em vigor no Brasil a afirmação é verdadeira, pois as regras vigentes beneficiam quem tem mais dinheiro para gastar na campanha e montar a famosa “estrutura”, eufemismo para o pagamento de pessoas e serviços. A legislação favorece também as coligações sem princípio, feitas apenas em função da soma do tempo que cada partido tem.

Esta é a realidade enquanto não for feita uma verdadeira reforma do sistema eleitoral, montado para beneficiar os mais ricos e os que estão no poder. Nada impede, porém, que se tente mudar isso. E a melhor maneira é na prática: mostrando que é possível ser eleito, mesmo no atual sistema, com pouco dinheiro, alianças programáticas de verdade e sem muitos minutos de televisão.

A eleição de Cristovam Buarque, em 1994, é um exemplo de que isso é possível. Não tinha dinheiro, a coligação era toda de esquerda e o tempo de televisão era pequeno. E se foi possível no século passado, é mais possível ainda agora, quando a maioria das pessoas se cansou dos políticos e dos partidos que ficam na mesmice e acomodados nas velhas fórmulas de fazer política. As pessoas querem mudanças, e as mudanças já começam no jeito de montar a chapa e fazer a campanha.

O bem e o mal

Os manifestantes mascarados que invadem e depredam universidades, escolas, postos médicos e prédios públicos na Venezuela são, para a imprensa brasileira, lutadores pela liberdade.

Os manifestantes mascarados que ocupam e depredam a reitoria da Universidade de Brasília são, para a mesma imprensa, vândalos e criminosos.

A isenção que se espera da imprensa poderia pelo menos igualar as duas situações: são vândalos, aqui ou lá. Depredar o que é público é crime, aqui ou lá.

 

Vendilhões do templo

Alguns dos maiores ladrões e corruptos de Brasília rezaram fervorosamente na festa de Pentecostes. E ainda receberam homenagens e cumprimentos.

Se as orações que fizeram ou fingiram fazer fossem acompanhadas de arrependimento verdadeiro e da promessa de não mais roubar os cofres públicos, teria valido a pena.

Mas, como vão à festa todos os anos e continuam roubando descaradamente, não dá para acreditar que vão se regenerar e passar a cumprir os preceitos da Lei de Deus.

No ano que vem, mais ricos à custa do dinheiro que roubam do povo, estarão lá de novo.

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