Tolerância mil

Sou do tempo em que nenhum motorista tinha a ousadia de ultrapassar uma viatura policial que estivesse trafegando na velocidade máxima da via. Lembro-me dos muitos fusquinhas da PM que circulavam pelas W-3 e pelos eixos, com um séquito atrás, respeitoso. Se alguém ousasse ultrapassá-los, os bravos fusquinhas iam atrás, mesmo em desvantagem. E as placas eram anotadas.

Agora não se respeita nem mesmo os carros do Batalhão de Trânsito e do Detran, que são ultrapassados em alta velocidade e não reagem. Seus ocupantes continuam o trajeto como se isso fosse normal.

Polícia que não se respeita cai no descrédito.

 

Laboratório da ignorância

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) empurrou com a barriga uma decisão importante para os que precisam do canabidiol, um dos princípios ativos da maconha, para tratamento de doenças. Um dos diretores do órgão, Jaime de Oliveira, pediu vista, manobra para protelar a decisão para julho ou agosto. O presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, foi contra a liberação com argumentos típicos de tecnocrata que se apega a formalismos e desconhece o sofrimento das pessoas.

Assim o canabidiol continua proibido e os pacientes têm de recorrer à Justiça para poder utilizá-lo em seus tratamentos. Foi na verdade mais uma oportunidade para os diretores da Anvisa mostrarem sua incompetência, ignorância e insensibilidade – para não falar de outras “qualidades”. O que não é nenhuma novidade.

Aliás, o próximo governo poderia tomar uma medida saneadora em relação à agência: fazer uma comparação dos bens que atuais e ex-diretores e seus adjuntos tinham ao assumir a Anvisa e os que têm hoje. Mas a verificação deve incluir mulheres, filhos e laranjas.

Investigar não ofende.

Boa hora para melhorar o Supremo

A presidente Dilma pode prestar um grande serviço ao país: escolher bem o ministro que ocupará a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. O primeiro passo para isso é ignorar sugestões de figuras conhecidas só interessadas em colocar amigos no tribunal

Alguns critérios que fariam bem à Justiça, ao Supremo e ao Brasil, além do “notório saber” e “reputação ilibada”:

- ser jurista de verdade, com competência reconhecida, longa militância no Direito e produção comprovada, e não um advogado que tenha prestado serviços ao governo ou a partidos.

- ser austero e voltado para seu trabalho, e não interessado nas muitas mordomias, em fazer viagens internacionais inúteis à custa dos cofres públicos, frequentar festas e aparecer em colunas sociais.

- ser um juiz que “fala” nos autos dos processos e nas sessões, e não um militante político disfarçado que adora dar entrevistas e aparecer na televisão, e se pudesse estaria em um palanque.

- ser exigente nas relações pessoais, não mantendo amizades íntimas com figuras como, por exemplo, Demóstenes Torres, nem se caracterizar como “libertador” de réus ricos e importantes.

- ser justo e cumpridor da Constituição e das leis em qualquer circunstância, e não usar a toga para praticar vinganças de caráter pessoal e político.

Como não dá para mandar embora os que se encaixam no perfil negativo, a presidente poderia pelo menos evitar a reprodução desses maus exemplos.

Para conferir em outubro

É natural que eleitores, leigos, desinformados e lobistas de candidaturas se impressionem ou finjam se impressionar com pesquisas quantitativas que vêm sendo realizadas em Brasília. Esse comportamento, porém, é injustificável entre os que conhecem nossos sistema e processos eleitorais e a história das eleições em Brasília e no Brasil. Entre esses, especialmente, cientistas políticos e jornalistas especializados em política.

Recentemente o colunista de um grande jornal brasileiro escreveu que determinado candidato é imbatível para o Senado. Independentemente das informações que tenha o colunista (e não são as melhores, pois o referido candidato sempre aparece nas quantitativas com índices irrisórios), a categoria “imbatível” não existe em eleição, ainda mais cinco meses antes do pleito. O jornalismo exige mais rigor.

Agora há jornalistas e pretensos especialistas que tiram conclusões sobre quem irá ao segundo turno das eleições em Brasília com base em pesquisas quantitativas que estão sendo divulgadas em Brasília. Mesmo que todas essas pesquisas fossem corretas (e não são), as conclusões a partir das intenções de voto manifestadas agora não têm o menor sentido. Ainda mais, mas não apenas por isso, levando-se em consideração o alto índice de indecisos.

Como Arruda e Agnelo lideram na maioria dessas pesquisas, embora não em todos os cenários e em alguns na margem de erro, alguns dizem que isso indica que os dois é que estarão no segundo turno. É uma enorme bobagem, que o histórico das eleições desmente categoricamente, inclusive com exemplos recentes.

O que pode indicar tendências, hoje, são as pesquisas qualitativas. Tendências, não resultados. Os estrategistas de Arruda e de Agnelo têm as suas e por isso sabem, e até dizem para algumas pessoas, reservadamente, que ambos disputam uma vaga no segundo turno. Para enfrentar Rodrigo Rollemberg.  

 

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